O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, prestará um depoimento crucial à Polícia Federal (PF) na próxima quinta-feira (15) por videoconferência. Este interrogatório, que promete trazer novos elementos à investigação, está centrado na polêmica negociação de compra e venda do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), um banco público.
As investigações da PF indicam que Vorcaro está envolvido em fraudes que podem ultrapassar a soma de R$ 12 bilhões, referentes à aquisição de ativos problemáticos conhecidos como “cartas podres”. Além da compra irregular, há acusações de que Vorcaro teria pago propina em relação a seis imóveis de luxo localizados em Brasília e São Paulo, dirigidas a Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.
Documentos revelados mostram que Vorcaro solicitou a intervenção de um diretor do Banco Central (BC) em um documento para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), buscando outros meios de contornar a situação.
Durante seu depoimento anterior, mencionou que foi incentivado por Galípolo a promover uma fusão entre o Banco Master e o BRB, afirmando ter “amigos” dentro do BC e expressando a necessidade de não “queimá-los”. Essa declaração sugere uma rede de conexões que pode complicar ainda mais o cenário.
A contrapartida total da venda seria de R$ 150 milhões, conforme evidenciado por mensagens encontradas no celular de Vorcaro, revelando a dimensão da transação e a possível conivência de outras figuras importantes no sistema bancário.
A oitiva de Vorcaro já sofreu dois adiamentos. Sua defesa argumentou que não teve acesso adequado aos autos do processo, justificativa que levou à necessidade de um maior tempo para preparar adequadamente o cliente.
Após seu depoimento, a PF também planeja interrogar Paulo Henrique Costa, mas ainda não há uma data definida para isso.
O afastamento de Costa da presidência do BRB completará um ano no próximo mês. Ele foi um dos alvos das operações realizadas pela PF, sendo alvo de buscas em novembro do último ano durante a Operação Compliance Zero. Nesta mesma operação, Vorcaro foi preso pela primeira vez.
Contudo, ele foi liberado doze dias depois, mas, em março deste ano, sua prisão preventiva foi novamente decretada. Atualmente, Vorcaro cumpre pena na Papudinha, que faz parte do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
O desdobramento desse caso não apenas afeta os indivíduos diretamente envolvidos, mas também levanta questões mais amplas sobre a governança e a transparência no sistema bancário brasileiro. As operações de combate à corrupção têm ficado em evidência nos últimos anos, e esse caso pode servir como um exemplo emblemático para reforçar a necessidade de monitoramento e regulação mais eficaz.’

