O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez declarações contundentes na noite de quinta-feira (22) durante uma live promovida pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). Ele defendeu a necessidade de um debate urgente sobre a regulamentação das redes sociais, enfatizando que isso deve ocorrer “sem censura”. Durante sua fala, Lula direcionou críticas à Meta, instando a empresa a “se enquadrar nos bons costumes”.
Lula argumentou que a big tech lucra em cima da população mais vulnerável, afirmando que ela dissemina mentiras que prejudicam a democracia no Brasil.
“A Meta vai ter que ser reinventada, porque ela não pode enganar a humanidade todo o tempo. Ela já enganou muito, mas agora ela vai ter que se enquadrar nos bons costumes e nas boas maneiras que a sociedade precisa para viver bem”, declarou o presidente.
A declaração de Lula ocorre em um cenário de tensão entre sua campanha e a Meta. A campanha do petista ajuizou ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a empresa, alegando que houve interferência na distribuição de conteúdos favoráveis ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
A Meta, por sua vez, admitiu ter cometido falhas pontuais, mas negou qualquer envolvimento que pudesse interferir nas eleições.
Durante a live, Lula enfatizou a importância de estabelecer uma responsabilidade jurídica clara em relação às infrações cometidas nas redes sociais. Segundo ele, infrações virtuais devem ser tratadas com a mesma seriedade que crimes na vida real. “Ou a gente toma atitude muito séria e começa a discutir uma regulamentação sem censura, mas que a gente possa dizer que qualquer crime na internet deve ser tratado como crime da vida real”, acrescentou.
O presidente também deixou claro que não se opõe à liberdade de expressão, mas pede que esta venha acompanhada de responsabilidade.
Ele mencionou que ofensas, bullying e ataques no ambiente digital não devem ser tolerados sob o pretexto da liberdade de expressão. “As pessoas têm que ser punidas e isso não tem nada de fim da liberdade de expressão. Queremos liberdade de expressão com responsabilidade”, afirmou.
Lula ainda recordou a implementação do ECA Digital, considerado por ele como a melhor regulamentação já feita em qualquer país, destacando seu papel na proteção de crianças e adolescentes no ambiente online.
Janones, que coordena o canal “Exército do Lula”, trouxe à tona os dilemas enfrentados no ativismo digital e questionou sobre as limitações diante da rigidez das missões coordenadas e da disciplina exigida dos apoiadores para superar os algoritmos das redes.
Ele caracterizou essa mobilização como um “remédio amargo” e uma “democracia mitigada”, necessária para enfrentar riscos que ele classificou como autoritários. Contudo, Janones ressaltou que essa estratégia não é sustentável a longo prazo.
“A gente precisa seriamente, depois dessas eleições, começar a discutir as big techs e a interferência delas na nossa democracia e no processo eleitoral”, destacou.
As declarações de Lula e Janones não apenas refletem um momento crucial na política brasileira, mas também abordam a crescente preocupação com o papel das grandes plataformas digitais em influenciar a democracia. O apelo por uma regulamentação razoável e responsável no espaço virtual é uma questão cada vez mais premente para a sociedade brasileira, especialmente em um período eleitoral conturbado.
As próximas semanas e meses podem revelar os rumos dessa discussão e a responsabilidade das big techs na manutenção da integridade democrática.

