A eleição presidencial de 2026 marcará um momento histórico no Brasil, pois será a primeira vez no século XXI que não haverá mulheres candidatas em chapas competitivas para a Presidência da República. Esse fenômeno é destacado em um levantamento realizado pela Folha de S.Paulo e corroborado pela CNN Brasil, o qual revela que, desde 2002, sempre houve pelo menos uma mulher em candidaturas relevantes.
Desde o início do século, as eleições brasileiras assistiram a uma gradual inclusão de mulheres em posições de destaque. Em 2002, a presença feminina começou a se transformar em um elemento mais visível nas disputas eleitorais, com nomes como o de Marta Suplicy (PT) e outras figuras apresentando-se como alternativas nos pleitos presidenciais.
Ao longo dos anos, essa participação teve altos e baixos, mas em cada eleição desde então, pelo menos um dos partidos competitivos lançou mulheres, seja como candidatas à presidência ou em posições de vice. A eleição de 2022 foi um marco, onde mulheres notórias como Soraya Thronicke (União Brasil) e Manuela D’ávila (PCB) figuraram nas chapas, refletindo um avanço na representatividade.
No entanto, ao chegarmos a 2026, o cenário enfrenta uma reviravolta. Flávio Bolsonaro, candidato pelo PL, anunciou Alfredo Gaspar como seu vice, consolidando uma chapa exclusivamente masculina. Dos 13 candidatos já confirmados, somente chapas de partidos sem representatividade no Congresso contam com mulheres candidatas, o que levanta preocupações sobre a diversidade e inclusão no cenário político brasileiro.
É interessante observar como as eleições passadas apresentaram uma diversidade maior. Em 2022, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve como vice Geraldo Alckmin, mas antes disso, o ciclo eleitoral de 2018 foi recheado de mulheres, com quatro chapas competitivas incluiu mulheres como vice, e a presença marcante de Marina Silva como candidata.
Com o avanço das candidaturas, em 2014, tivemos a reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff e a participação de outras motivações femininas pela presidência como Marina Silva. A cada eleição, a expectativa era de um incremento na representatividade, no entanto, agora a questão levanta discussões sobre as barreiras enfrentadas por mulheres na política brasileira, as quais precisam ser urgentemente abordadas.
A escassez de mulheres nas chapas competitivas não é só uma questão de representatividade, mas reflete uma crise mais profunda sobre como o potencial feminino está sendo abordado dentro do sistema político. É crucial que os partidos reflitam sobre a necessidade de inclusão e representação, não só para atender exigências legais, mas principalmente para enriquecer o debate público e trazer uma variedade de experiências e perspectivas para a construção de políticas públicas.
Além disso, a ausência de figuras femininas influentes em candidaturas à presidência em 2026 poderá resultar na desmotivação de futuras gerações de mulheres interessadas em entrar na política, impactando assim o futuro do nosso sistema democrático.
Portanto, a eleição de 2026 nos apresenta um desafio significativo: a necessidade de questionar e repensar a dinâmica da política brasileira e o espaço ocupado pelas mulheres. A luta por igualdade de gênero na política é um aspecto vital para assegurar que todas as vozes sejam ouvidas e representadas, refletindo a pluralidade da sociedade brasileira.