O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira, 4 de novembro de 2026, interromper a sequência de cortes da taxa básica de juros do Brasil, a Selic, que permanece em 13,75% ao ano.
Na justificativa para a manutenção da taxa, o Copom apontou que o cenário externo se tornou mais complicado devido ao prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio, que traz impactos de alta sobre o preço do petróleo e seus derivados. Além disso, a política monetária mais restritiva em economias avançadas exige cautela de países emergentes em um ambiente com aumento da volatilidade de preços de ativos e commodities.
Em relação ao cenário interno, o comitê mencionou que os indicadores divulgados desde a última reunião indicam uma moderação mais acentuada da atividade econômica, mais evidente em setores cíclicos. Embora o mercado de trabalho mantenha certa resiliência, surgem sinais de desaquecimento. Dados recentes mostram que a inflação geral e a média das medidas subjacentes aceleraram, superando o limite superior da meta estabelecida.
O Copom também fez menção às expectativas de inflação para os anos de 2026 e 2027, que, segundo a pesquisa Focus, distanciaram-se da meta, ficando em 5,2% e 4,8%, respectivamente. Além disso, destacados fatores de risco para a inflação incluem: uma possível desancoragem das expectativas inflacionárias a longo prazo, choques de oferta relacionados ao petróleo e a efeitos climáticos sobre a produção agrícola, bem como políticas econômicas que poderiam ter um impacto inflacionário mais significativo do que o esperado.
Entre os fatores que poderiam resultar em uma inflação mais baixa estão uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica interna e global, além da redução nos preços das commodities, que teria efeitos desinflacionários.
O Copom reiterou que a decisão de manter a Selic em 13,75% ao ano está alinhada com a estratégia de trazer a inflação para perto da meta ao longo do tempo relevante, buscando também suavizar flutuações econômicas e promover o pleno emprego.
A Selic serve como referência para as taxas de juros praticadas por instituições financeiras no Brasil e determina a remuneração de investimentos.

