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Advogado diz que PF citou críticas dele a Moraes em ofício sigiloso

O advogado Paulo Faria, que atuou na defesa do ex-deputado federal Daniel Silveira, fez uma denúncia em suas redes sociais, no último domingo (1°), sobre a prática da Polícia Federal (PF) de comunicar críticas feitas por ele ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Faria, essa comunicação ocorreu por meio de um ofício sigiloso enviado ao magistrado.

O advogado relatou que a comunicação da PF estava relacionada à PET 11.548, que envolve a defesa de sua cliente norte-americana Flávia Magalhães. Ela está sob investigação após publicar em sua conta na rede social X que Moraes teria se encontrado com Marcola, líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), na prisão.

Faria mencionou que o ofício foi emitido em 23 de outubro de 2025, sob o número 4134827/2025. No documento, a PF pedia que Moraes informasse a data em que o advogado teve acesso aos autos do procedimento, caso essa ação realmente tenha acontecido.

Além de se referir às publicações do advogado feitas em 11 de outubro de 2025, onde ele criticava ações da PF, o documento solicitou a preservação do conteúdo e dos metadados das postagens. Faria destaca que essa situação levanta questionamentos sobre o monitoramento de sua atuação profissional e os limites da liberdade de expressão na advocacia.

O advogado afirmou que tem enfrentado dificuldades em acessar os autos do processo, contesta decisões que estão sob sigilo e questiona medidas que ele considera incompatíveis com as garantias constitucionais da profissão. Faria ainda vinculou sua saída do Brasil, ocorrida devido ao medo de represálias por suas críticas a Moraes, ao documento sigiloso da PF.

Ele relatou que já havia denunciado em novembro de 2025 tentativas de vigilância em sua casa e acesso não autorizado a seus dispositivos eletrônicos, além de telefonemas de números desconhecidos.

Embora o advogado ressalte que o ofício por si só não comprova a existência de uma investigação criminal ou de uma ordem de prisão contre ele, considera preocupante que suas críticas tenham sido documentadas em um expediente policial que foi encaminhado ao ministro. Faria exige esclarecimentos sobre a finalidade do pedido de preservação dos dados e a existência de quaisquer investigações que o envolvam.

Para ele, esta situação é emblemática no debate sobre liberdade de expressão, fiscalização de autoridades públicas e a proteção das prerrogativas da advocacia. Ele se comprometeu a continuar denunciando o que vê como perseguição política e violações em sua prática profissional.

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