No dia 15 de setembro de 2026, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino pediu vista, adiando assim o julgamento que pode resultar na investigação do colega Alexandre de Moraes. Este pedido aconteceu em um ambiente agitado, durante um embate envolvente entre diversos magistrados da Corte.
Apesar do pedido de vista, Luiz Fux e Cármen Lúcia anteciparam seus votos em uma questão de ordem levantada por Gilmar Mendes, que tinha à frente a proposta de unificar os processos de Moraes e André Mendonça. A proposta pretendia alterar a forma de relatoria e, assim, reduzir o poder do presidente Edson Fachin de designar relatorias.
Toda a situação tensionou-se quando o procurador-geral da República, Paulo Gonet, rejeitou uma alegação feita por Mendonça que envolvia mensagens de texto. Moraes, por sua vez, defendeu Gonet, destacando que o trecho mencionado por Mendonça estava contido apenas em um print que não havia sido enviado. Gonet, em um tom firme, reforçou que jamais teve qualquer interação com o banqueiro relacionado às mensagens.
Gilmar Mendes não hesitou em criticar a ilação que pesava sobre Gonet. Ele expressou sua indignação de maneira enfática, chamando de “leviandade” as alegações contra o procurador. A resposta de Mendonça foi imediata: ele exigiu respeito, sendo prontamente instigado por Mendes em um clima de intensa tensão entre os dois.
Diante do clima de hostilidade, Dino decidiu solicitar uma vista do caso, apontando para a iminência das eleições e descrevendo a sessão como “desastrada” para o STF. Ele alertou que a situação poderia agravar-se ainda mais ao trazer à tona mensagens de Fux e Nunes Marques, gerando ainda mais controvérsias.
Cármen Lúcia se declarou envergonhada pela cena presenciada no julgamento, refletindo sobre a necessidade de um ambiente de respeito na Corte. Após os votos iniciais, a questão se complexificou, com apenas o voto-vista de Dino pendente.
Com o desenrolar da situação, o STF encontrou-se em uma posição complicada. Enquanto alguns ministros votaram a favor da unificação dos julgamentos, outros se mostraram favoráveis à manutenção dos casos separados, sob a relatoria de Fachin. A dinâmica entre os magistrados é marcada por descontentamentos e a necessidade de um consenso que ainda parece distante.
O presidente Fachin, após o tumulto e as tensões, tomou a decisão de retirar Moraes da relatoria do inquérito das fake news e reconfigurou a distribuição de processos sensíveis à presidência, buscando um maior controle sobre as deliberações.
Durante toda a sessão, questões associadas a mensagens que supostamente indicam interações entre Moraes e o ex-banqueiro Vorcaro foram centralizadas. As mensagens analisadas pela Polícia Federal sugerem ligações que envolvem tentativas de interferência e pressão. Gonet, ainda por cima, levantou a questão de dupla nulidade, argumentando que Mendonça não poderia assumir funções investigativas e que apenas o Plenário teria o poder de aprovar tais investigações.
No contexto geral, o STF deve enfrentar não apenas a complicação desta questão, mas também a sombra das debatedas políticas que cercam o tribunal e o potencial impacto nas eleições. A tensão interna e as pressões externas continuam a formar uma narrativa complexa sobre o futuro do Judiciário no Brasil.