Recentemente, mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, investigado pela Polícia Federal (PF), revelaram conversas que compõem um quadro intrigante entre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o banqueiro. O tom descontraído das trocas de mensagens inclui o desejo de Gonet de fumar charuto e degustar uísque Macallan durante um evento em Londres, que a princípio estaria marcado para 2025, mas foi posteriormente cancelado.
O encontro em questão faria parte da segunda edição de um Fórum Jurídico promovido pelo Banco Master, que em 2024 já havia realizado sua estreia com a presença notável de figuras como o ministro Alexandre de Moraes e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
O material, que se tornou público em 1º de setembro de 2026 devido a uma decisão do ministro André Mendonça, inclui diálogos que indicam uma relação próxima entre Gonet e Vorcaro, mediada por Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master. Durante uma troca de mensagens em 28 de março de 2025, Gonet expressou que sentia falta de Vorcaro, ao que este respondeu elogiando o procurador-geral e sugerindo que se encontrassem.
Na sequência, Soares confirmou a Vorcaro que Gonet estava cogitando a viagem a Londres, acompanhada da famosa frase: “Oba! Tomara que tenha charuto e Macallan”. Vorcaro, em tom de brincadeira, provocou: “Agora vai ter que ter plantação de charuto e barril de Macallan”.
Outro aspecto interesse das mensagens é a forma como Soares se mostrou ativo em facilitar a viagem não só de Gonet, mas também de seu filho, Pedro Gonet. O próprio procurador solicitou que o banqueiro arcasse com os custos, ao que Vorcaro prontamente respondeu que era “óbvio” que ajudaria.
Além disso, as mensagens também indicam uma estratégia de aproximação entre Vorcaro e autoridades, como Moraes. Um momento crucial registrado é o pedido para que Moraes retardasse ações que poderiam resultar em problemas financeiros para o banco.
A situação ganhou ainda mais complexidade quando, em um despacho recente, Mendonça pediu que Gonet se manifestasse sobre o relatório da PF que detalha as mensagens, estabelecendo um prazo de cinco dias para a resposta.
Além das interações descontraídas, Vorcaro também expressou preocupações com a possibilidade de ser preso, enviando apelos a Moraes para que conseguisse “reverter” ações em andamento. Este aspecto da investigação revela a preocupação real do banqueiro em relação ao seu futuro e a sua conexão próxima com figuras de destaque no sistema judiciário brasileiro.
A troca de mensagens entre Gonet e Vorcaro expõe não apenas um lado mais leve e social de suas interações, mas também implicações sérias quanto à relação entre o setor bancário e as políticas públicas. Conforme a investigação avança, a necessidade de transparência e justiça se torna ainda mais crucial em um momento em que as instituições estão sob escrutínio.