Mensagens obtidas por investigadores no contexto do caso Master revelam que Fabiano Zettel, empresário e pastor, identificado pela Polícia Federal como operador financeiro do banqueiro Daniel Vorcaro, tinha em seu celular uma planilha detalhando pagamentos pendentes. Nela, destacava-se um repasse de R$ 1 milhão ao empresário Chiquinho Feitosa, ex-cunhado do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Chiquinho, sócio-administrador da F&A Empreendimentos Imobiliários e da F&A Consultoria em Gestão Empresarial e Logística e Transporte, já foi senador e deputado federal, além de presidir o Republicanos no Ceará. Ele tem uma trajetória significativa no setor de transportes. O envio da planilha ocorreu em 10 de janeiro de 2025, enquanto Gilmar Mendes ainda era casado com sua irmã, Guiomar Feitosa, antes do divórcio que ocorreu em novembro de 2025.
A lista de pagamentos que Zettel mandou a Vorcaro incluía itens como despesas com aeronaves e impostos atrasados, totalizando R$ 1,7 milhão, além de um pagamento de R$ 1,5 milhão a Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central. Esses detalhes levantam sérias questões sobre a natureza das transações e suas repercussões.
Em abril de 2024, Chiquinho aconselhou Vorcaro a estreitar laços com Gilmar Mendes, considerou essa aproximação essencial para o futuro. Ele se referiu a Vorcaro como “irmão” e atuou como intermediário entre o banqueiro e o ministro do STF. Tal relação levanta alertas sobre a influência que poderia ter em decisões judiciais e o comprometimento da ética nas práticas legais.
Após a revelação, Gilmar Mendes se pronunciou, afirmando que se reuniu com Vorcaro exclusivamente para tratar de um processo em que a empresa Destilaria Alcídia buscava reparação sobre ações do governo nos anos 80. No entanto, a decisão que acabou sendo tomada não favoreceu Vorcaro, uma vez que Gilmar votou contra os interesses da destilaria, o que causou descontentamento no banqueiro.
O processo envolvendo a usina Alcídia gerou polêmica e interrupções frequentes, culminando em um julgamento em outubro de 2024. Os interesses financeiros destacam-se, uma vez que o modelo de negócios do banco Master estava profundamente ligado à compra de precatórios, o que revelou questões sobre a legalidade e legitimidade das transações financeiras do banco.
Os acontecimentos em torno da operação Master e a possível influência de pagamentos e relações pessoais sobre decisões judiciais reavivam o debate sobre a ética no STF. Com inquéritos e diligências em andamento, a situação poderá impactar não apenas as carreiras individuais, mas também a credibilidade da instituição e o sistema judiciário como um todo.