As recentes medidas adotadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visam ajustar as contas públicas em um período pré-eleitoral, poderão gerar um impacto significativo de até R$ 42,3 bilhões nas finanças do próximo mandato. Essa soma considera não apenas o aumento das despesas, mas também a perda de receitas, que se estima serão necessárias para acomodar ações como o aumento do Bolsa Família, a proibição das apostas online (bets) e a expansão do programa Desenrola 3.0. Tais medidas ainda não estão devidamente contempladas no Orçamento de 2027, que precisará ser revisado para integrar esses novos gastos.
O governo federal tem adotado uma postura ativa, anunciando novos programas a cada quatro dias desde o início da campanha eleitoral, buscando resolver questões financeiras que afetam a população brasileira. O novo Desenrola, que visa renegociar dívidas, já conseguiu renegociar uma em cada três dívidas entre maio e agosto deste ano, refletindo a necessidade de medidas que aliviem a pressão econômica sobre os cidadãos.
O ajuste fiscal exigido pelos novos programas representa um desafio significativo, pois existem gastos que se acumulam em diferentes prazos. A primeira grande parte da conta é de R$ 22 bilhões a serem gastos com o reajuste do Bolsa Família, que aumenta o valor do benefício de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro. Além disso, a proibição das bets acarretará uma perda de receitas de aproximadamente R$ 5,3 bilhões. Por fim, o Desenrola 3.0, que se estenderá para além de 2027, terá um teto de gastos de R$ 15 bilhões, exigindo uma gestão rigorosa para evitar problemas fiscais.
A necessidade de compensações é iminente. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, salientou que o governo está revisando suas despesas para acomodar esses novos investimentos. No entanto, a aplicação desses recursos dependerá do remanejamento de orçamento em diferentes áreas, o que representa um desafio em termos de política pública e alocação de recursos.
O impacto do reajuste do Bolsa Família se estenderá além do ano eleitoral, uma vez que o custo adicional para 2026 está estimado em R$ 5,8 bilhões e, em 2027, saltará para R$ 22 bilhões devido à sua vigência por 12 meses. Essa necessidade de longo prazo de alocação deve ser cuidadosamente considerada, especialmente quando se trata de manter a sustentabilidade fiscal do governo.
No que diz respeito ao programa Desenrola, a União poderá intervir na compra de carteiras de dívidas de cidadãos, oferecendo descontos que devem ser repassados aos devedores. O programa estabelece um valor de R$ 15 bilhões para essas aquisições, e de acordo com o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, essas despesas também precisarão respeitar as regras fiscais vigentes.
A proibição das apostas online representa mais uma preocupação, pois poderá resultar em R$ 5,3 bilhões de receitas não obtidas em 2027, o que requer soluções alternativas de compensação via receitas de outras fontes ou cortes adicionais em despesas. Especialistas afirmam que essa proibição pode redirecionar apostadores para plataformas ilegais, o que pode aumentar a vulnerabilidade do setor fiscal.
A combinação de novas despesas e a queda nas receitas representa um desafio complexo para a administração fiscal. A necessidade de cortar despesas em algumas áreas poderá gerar descontentamento e debate político acalorado à medida que se aproxima o período eleitoral.
Além disso, as eleições de 2026 não apenas definirão as prioridades do orçamento, mas também moldarão o cenário em que o novo governo deverá operar, equilibrando demandas sociais urgentes, como os programas sociais, com a necessidade de manter a saúde financeira do país. As ações e estratégias que forem tomadas neste momento terão efeitos que vão muito além de 2027 e influenciarão os rumos econômicos e sociais do Brasil nos anos seguintes.

