No dia 30 de setembro de 2026, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), em colaboração com as forças policiais, executou uma operação significativa em uma escola de educação infantil em Nova Andradina, a aproximadamente 300 km de Campo Grande. A ação, nomeada Operação Amparo, teve como foco a apreensão de documentos e materiais que devem crucialmente contribuir para a investigação sobre alegações de maus-tratos a crianças.
Com a liderança do Centro de Investigação do MPMS e apoio da Polícia Civil e Militar, a operação se deu devido a relatos alarmantes de mães e uma ex-funcionária da creche. De acordo com as informações, a creche foi acusada de utilizar métodos disciplinares extremamente questionáveis, incluindo o uso de spray de vinagre no rosto das crianças e agressões físicas.
Os relatos das mães de crianças que frequentam a instituição descreveram uma realidade perturbadora. Elas afirmaram que seus filhos retornavam para casa apresentando marcas de machucados e sinais visíveis de angústia emocional. A ausência de uma estrutura adequada para o descanso dos pequenos, banheiros em péssimas condições e a notável falta de higiene, como tatames sujos e berços quebrados, foram mencionadas como parte da rotina na creche.
A ex-funcionária, que decidiu romper seu silêncio sobre as práticas dentro da instituição, corroborou os relatos, apontando que a estrutura física e a higiene eram alarmantemente inadequadas, elevando as preocupações sobre a segurança e o bem-estar das crianças atendidas.
Como resposta às investigações e a gravidade das acusações, a Justiça decidiu suspender as atividades da creche, visando proteger as crianças envolvidas. Os mandados de busca e apreensão foram autorizados pela Vara Criminal e pela Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Nova Andradina, em resposta a pedidos do MP e da Polícia Civil. Após as apreensões, o MPMS reiterou que a investigação continua em andamento, e os materiais coletados serão fundamentais para a continuidade do inquérito.
O caso despertou atenção tão significativa que o Conselho Tutelar foi acionado, e as denúncias foram remetidas para outras instituições que tutelam os direitos da criança e do adolescente, como o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA). A Polícia Civil, por sua vez, orientou os pais e responsáveis que possuem evidências, como fotos ou vídeos, a se dirigirem à delegacia local para que possam contribuir com a investigação.
Posicionamento da Creche e da Prefeitura
Diante das graves alegações, a creche Espaço Tia Lú lançou uma nota por meio de sua defesa, na qual informou que as atividades foram suspensas temporariamente e que estão colaborando com as autoridades para esclarecer os fatos. Em sua declaração, a instituição ressaltou que sempre pautou suas ações pelo respeito e cuidado com os alunos, embora tenha optado por não comentar detalhes durante a investigação atual.
A Prefeitura de Nova Andradina, por sua vez, enfatizou que a creche é um estabelecimento privado, sem vínculo com a administração pública ou com a Rede Municipal de Ensino. A administração municipal ainda declarou que a contratação dos serviços da creche é feita diretamente pelas famílias, sem qualquer interferência governamental.
Este caso serve como um lembrete contundente sobre a importância da vigilância e da denúncia em relação ao bem-estar das crianças. Abusos e descaso em instituições que deveriam ser um ambiente seguro e acolhedor para os pequenos nunca devem ser tolerados. A mobilização da comunidade e a ação rápida das autoridades são cruciais para garantir que todos os direitos das crianças sejam respeitados e protegidos.

