No último debate da TV Globo, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente em exercício e candidato à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT), utilizou o espaço para criticar seu adversário, Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), focando nas fraquezas do rival em vez de apresentar propostas concretas para o futuro.
Lula, que parecia mais à vontade e descontraído em comparação ao debate anterior na Band, chegou a chamar Flávio de aluno que faz “decoreba”, num esforço claro para pôr seu oponente na defensiva. Contudo, ao priorizar seu legado pessoal, o presidente deixou de lado propostas que poderiam ser mais atrativas ao eleitorado.
Durante o debate, Lula perdeu a oportunidade de aprofundar sua argumentação durante réplicas e tréplicas, algo que é comum em sua atuação, onde o improviso costuma ser sua maior arma. Em diversos momentos, a cautela do presidente foi notável, e ele precisou recorrer a anotações para se lembrar de perguntas e respostas.
O controle do tempo também foi um ponto fraco para Lula em comparação a Flávio, que fez da segurança e da suposta competência do governo anterior um tema central de sua argumentação. A estratégia de Lula incluiu tentativas de relembrar a pandemia sob o governo de Jair Bolsonaro, especialmente o caso lamentável da menina Ana Clara, que foi assassinada. Isso pôs Flávio em uma situação desconfortável, pois ele havia sido advogado do policial envolvido no caso.
Apesar de chamar atenção para o passado de Flávio, Lula não explorou o erro do senador ao confundir o nome da mãe da criança durante sua defesa, o que poderia ter sido um momento potente para o presidente, já que a mãe da menina estava presente na plateia.
Flávio, por sua vez, aproveitou um deslize de Lula, ao interpretar que o presidente havia dito que ele queria “acabar com a polícia”, um erro que ele usou para atacá-lo diretamente na parte final do debate.
O senador fez ao menos dois reconhecimentos de erro, incluindo uma confissão de que tinha votado contra o aumento da licença-maternidade em 2009. Seu uso de um apelido depreciativo para Lula, que estava inserido no contexto das provocações de seus aliados bolsonaristas, também lhe rendeu uma desculpa pública.
Lula, por outro lado, enfatizou sua conexão com a classe trabalhadora, uma parte fundamental de sua base eleitoral. Ele recordou sua experiência de vida, mencionando que perdeu um dedo ao trabalhar como operário aos 17 anos, um testemunho que ressoou com muitos presentes e que reforçou sua identidade sindical e sua luta por direitos trabalhistas.
Apresentando-se como um presidente mais sintonizado com as novas tecnologias, Lula procurou incentivar o público a buscar informações sobre as declarações de Flávio na internet, promovendo não apenas a checagem de fatos, mas também impulsionando o interesse por realizações positivas de seu governo.
Essa abordagem digital visou fortalecer sua imagem e conectar-se com os eleitores mais jovens, que estão acostumados a buscar informações através da internet, promovendo uma narrativa de um presidente que é tanto contemporâneo quanto engajado nas questões atuais do Brasil.

