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Gabrielli critica arrocho fiscal e propõe taxação sobre super-ricos

O economista José Sergio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras e atual coordenador do programa de governo para a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, lançou um forte apelo contra o que ele denomina de “arrocho fiscal” no país. Em um texto abrangente, distribuído na última sexta-feira, Gabrielli enfatizou que a busca por equilibro das contas públicas não deve ser vista como um fim absoluto.

Gabrielli responsabiliza o Banco Central pelo aumento vertiginoso da dívida pública brasileira. Segundo ele, recomendações que sugerem a necessidade de um superávit primário acima de 2% do PIB são inadmissíveis em um contexto econômico marcado por aumentos contínuos dos juros e uma inflação que consome a renda dos cidadãos.

Ele argumenta que a retenção de gastos não deve ser a única estratégia para reduzir o déficit público, especialmente quando tal abordagem prejudica as camadas mais vulneráveis da população. “O que se observa, na prática, é uma inversão de prioridades, onde os mais afetados são aqueles que dependem de serviços públicos essenciais, como saúde e educação”, salienta o economista.

Gabrielli defende os pisos constitucionais para saúde e educação como conquistas irrefutáveis da sociedade brasileira. Para ele, mudanças nesses setores podem ter repercussões negativas, mas acredita que é possível aumentar a eficiência e a eficácia dos gastos públicos sem comprometer essas áreas.

Uma das críticas mais incisivas de Gabrielli se dirige à natureza regressiva do sistema tributário brasileiro. Ele sugere que o equilíbrio das contas públicas e a equidade social podem ser alcançados através da taxação dos super-ricos, enquanto se reduz a carga sobre o consumo e a produção.

“Estamos falando de um cenário onde uma maior contribuição dos que estão no topo da pirâmide tributária é necessária para financiar um estado de bem-estar social mais justo e equitativo,” afirma. Esta proposta é vista como uma solução para mitigar a desigualdade crescente no país.

O documento também critica o uso excessivo de emendas parlamentares que, segundo Gabrielli, geram um “sequestro do orçamento”. Com um valor recorde de R$ 61 bilhões em 2026, as emendas comprometeram mais de 20% das despesas discricionárias da União, limitando a capacidade do governo de executar políticas públicas efetivas no longo prazo.

Gabrielli analisa o que considera ser a raiz do crescimento da dívida pública brasileira: o elevado custo financeiro gerado pelas altas taxas de juros. Ele ressalta que, apesar de um déficit primário moderado, a grande maioria da expansão da dívida é explicada pelo pagamento de juros, apontando para a necessidade de revisão da política monetária.

De acordo com os dados do Banco Central, a dívida bruta do governo alcançou 81,9% do PIB em junho de 2026, um aumento notável em relação aos 71,38% do PIB quando Lula assumiu em janeiro de 2023. Essa ascensão é atribuída, em grande parte, ao encargo do pagamento de juros, revelando a complexidade da situação econômica do Brasil.

Em suma, Gabrielli propõe uma reavaliação das práticas fiscais do Brasil, defendendo uma abordagem mais equilibrada e que priorize a justiça social. Com ênfase na eficiência do gasto público e na revisão da carga tributária sobre os super-ricos, o ex-presidente da Petrobras acredita que o país pode encontrar um modelo mais justo e sustentável de desenvolvimento econômico, sem sacrificar os direitos fundamentais da população mais carente.

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