Na sua terceira gestão como Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta o desafio de montar um novo ministério, ampliando a estrutura governamental, já que, na sua primeira gestão, ele elevou o número de ministérios de 26 para 34. Agora, se prepara para um recorde de 40 pastas em seu quarto mandato, reforçando a importância das posições ministeriais no cenário político.
Uma das prioridades de Lula será o fortalecimento de uma aliança com o Centrão, visando garantir engajamento e apoio nas pautas governamentais. O governo atual não contou com a colaboração efetiva desse bloco, que, mesmo com ministérios designados, não manteve uma postura de apoio, especialmente durante a reeleição, quando apoiaram Flávio Bolsonaro (PL). Apesar de ter 207 deputados, partidos centristas como PSD e MDB também demonstraram pouca adesão ao projeto eleitoral de Lula.
Agora, com uma nova configuração política e pressionados pela ascensão do PL, que conta com as maiores bancadas no Congresso, Lula poderá negociar pastas mais significativas com o Centrão. A política de cargos será decisiva para garantir um apoio mais robusto e alinhado às articulações políticas do governo.
Além das complexidades envolvendo as alianças políticas, Lula também precisa acomodar aliados que não conseguiram se reeleger nas eleições, como ex-ministros e figuras influentes, além de lidar com a necessidade de espaço político de parlamentares que perderam seus mandatos. Essa tarefa será difícil, visto que nomes como João Campos, presidente do PSB, aspiram por pastas que apresentem maior orçamento e a possibilidade de ações mais tangíveis.
Outro aspecto a ser considerado são as potencialidades e limitações impostas pelo próprio Partido dos Trabalhadores (PT). Tradicionalmente contemplado com cargos importantes, o PT poderá ter sua influência reduzida na distribuição dessas pastas, devido à necessidade de diversificar a base do governo e atender às pressões políticas externas. As tensões internas no partido se agravam, principalmente ao redor das principais cadeiras ministeriais que têm reflexo direto na sucessão presidencial de 2030.
A primeira-dama, Janja da Silva, também possui influência nas nomeações, especialmente em ministérios que atendem a demandas sociais, mas que enfrentam paralelos com a eficiência técnica e comandos estratégicos dados os orçamentos limitados.
Por fim, a discussão sobre o número excessivo de ministérios em comparação com modelos de governo mais enxutos de outros países, como os Estados Unidos e a França, levanta questionamentos sobre a eficiência da gestão pública. O sociólogo Paulo Ramos menciona que mais ministérios não necessariamente traduzem eficiência e que a estrutura deve ser reformulada para responder de forma eficaz às demandas sociais e políticas. Com uma desaprovação significativa a ser superada, a escolha dos novos ministros será um dos passos fundamentais para que Lula honre a promessa de oferecer uma gestão mais eficaz a partir de 2027.

