A Embraer, conhecida mundialmente por sua atuação na indústria aeronáutica, e a SPX Capital, gestora reconhecida por seus investimentos em tecnologia, deram um passo significativo ao anunciar a fusão de suas operações de cibersegurança. A nova empresa surge com um impressionante faturamento anual projetado de R$ 700 milhões, contando com a colaboração de 900 funcionários e uma base robusta de 600 clientes.
Com esta união, a Tempest Security Intelligence, que já integra o portfólio da Embraer, se juntará à Vision Cybersecurity da SPX, resultando em uma força considerável no setor de segurança digital.
Ainda sem um nome definido, a nova entidade funcionará com um modelo de troca de ações entre as empresas, sem envolver transações financeiras tradicionais. André Fleury, CEO da Vision Cybersecurity, assumirá a liderança desta nova companhia e já delineou ambições claras: “Queremos consolidar a empresa no mercado brasileiro para, na sequência, expandir para a América Latina e América do Norte”, afirma.
O crescimento inicial será orgânico, mas a possibilidade de aquisições futuras não está descartada, uma estratégia que pode acelerar a presença da nova empresa em mercados internacionais.
A Tempest, surgida no Centro de Estudos Avançados do Recife (Cesar) em 2000, foi adquirida pela Embraer em 2020. Com um faturamento que supera R$ 1 bilhão, a Tempest atende a grandes clientes. Por outro lado, a Vision Cybersecurity, adquirida pela SPX em janeiro deste ano, foca em empresas de médio porte, oferecendo serviços essenciais de proteção cibernética.
Ambas as empresas se especializam em análises de vulnerabilidade em softwares, plataformas e indústrias, além de operarem Centros de Operação de Segurança (SOC) que são fundamentais na detecção e resposta a incidentes de segurança. Essas operações incluem o monitoramento de tendências de ataques, enfatizando uma resposta preemptiva para neutralizar ameaças antes que se concretizem.
Apesar da fusão, a SPX Capital se tornará a acionista majoritária, controlando assim a nova companhia, enquanto a Embraer ocupará um papel relevante como acionista minoritário. Fleury permanecerá no comando, com João Lins, atual CEO da Tempest, assumindo a posição de vice-presidente de tecnologia e inovação.
“A defesa do ciberespaço é uma prioridade estratégica para a Embraer”, destaca Lins, evidenciando a importância da segurança cibernética para a empresa. Com um investimento inicial substancial, aportes de até R$ 400 milhões serão direcionados para a integração das duas empresas e para iniciativas de expansão.
As marcas Vision e Tempest continuarão a operar sob suas identidades originais pelo tempo necessário durante o processo de integração, e as sedes regionais em Vitória (ES) e Recife (PE) permanecerão em funcionamento, além da operação em São Paulo (SP).
Essa fusão está sujeita a aprovações regulatórias, incluindo o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), e marca um novo capítulo na estratégia de crescimento de ambas as empresas no setor de cibersegurança.