Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o índice que mede o interesse do setor industrial em investir sofreu uma queda significativa, atingindo seu pior patamar em 2026. Com um índice de 52,6 pontos, essa queda destaca a crescente apreensão entre os empresários acerca do ambiente econômico brasileiro.
Esse resultado, registrado nesta quinta-feira (20), mostra um cenário de insegurança que se reflete em diversas áreas do setor, levando a uma desaceleração nas intenções de investimento, após três meses consecutivos de declínios.
Os setores mais afetados, como pesca, química e calçados, expressam um desejo urgente por medidas que enfrentem o que muitos chamam de “tarifaço” imposto pelos EUA. A competitividade desses setores tem sido prejudicada pelas limitações tarifárias e pela concorrência desleal com produtos importados
Além disso, a CNI observou uma diminuição nas expectativas de exportação, fornecimentos e demanda em vários segmentos. Os índices de expectativas de quantidade exportada despencaram de 51 para 49,5 pontos, enquanto as previsões relacionadas ao número de empregados caíram de 50,1 para 49,4 pontos.
Larissa Nocko, especialista em políticas e indústria da CNI, analisou que essa redução no otimismo do setor industrial, especialmente nas intenções de investimento, é um reflexo do atual cenário econômico Brasileiro. A especialista destacou três fatores principais que têm contribuído para essa queda:
- Patamar elevado dos juros;
- Aumento dos custos de produção;
- Fortes entradas de produtos importados no mercado.
Larissa afirmou: “A queda da intenção de investimento da indústria resulta da continuidade do ambiente macroeconômico desfavorável para o setor. A combinação desses fatores desencoraja os empresários e inibe novas contratações e investimentos a longo prazo”.
Apesar dessa situação instável, é importante notar que muitos índices ainda se mantêm acima do limiar de 50 pontos, indicando uma expectativa positiva, mesmo que cautelosa, entre os empresários.
A CNI prevê que, caso as políticas econômicas do país não mudem, a tendência de queda pode se acentuar, afetando não apenas a indústria, mas também o emprego e a recuperação econômica pós-pandemia. Além disso, a expectativa é que os empresários passem a estar mais atentos a eventuais medidas que possam ser adotadas para melhorar a competitividade do mercado interno.
Por fim, a situação político-econômica brasileira apresenta uma série de desafios, incluindo um ambiente de incertezas políticas e a inflação persistente, que impactam diretamente a confiança na economia. O recente recuo de 0,6% na atividade econômica, registrado em junho, já começa a ecoar entre os empresários, que agora se veem diante de uma encruzilhada em suas decisões de investimento.