Na região oeste de Goiás, a cidade de Baliza, que completa 90 anos de emancipação em 27 de outubro de 2026, tem uma história fascinante que remonta à descoberta de jazidas de diamantes em 1924. Inicialmente um povoado de garimpeiros, a localidade se desenvolveu rapidamente após a chegada de trabalhadores em busca de riqueza nas pedras preciosas encontradas às margens do ribeirão João Velho.
A história de Baliza não é apenas sobre diamantes, mas também sobre o impacto social e econômico que a mineração trouxe à região. A cidade se tornou um ponto de encontro para personagens históricos, incluindo Dom Pedro de Alcântara de Orleans e Bragança, neto do imperador Dom Pedro II, que visitou a localidade em abril de 1936.
A visita ocorreu em um momento em que a cidade ainda estava em sua fase de crescimento econômico e social, em meio ao declínio da monarquia brasileira que havia sido proclamada república quase cinco décadas antes.
A descoberta das jazidas de diamantes foi realizada pelos garimpeiros Cosme e Borges, que identificaram as pedras preciosas às margens do ribeirão mencionado. Este achado atraiu uma enxurrada de trabalhadores de várias partes do Brasil, o que resultou em um significativo aumento populacional e a formação do povoado que, em pouco tempo, se destacou pela pujança econômica trazida pela extração mineral.
O povoado cresceu com frentes de garimpo surgindo em locais como Praia Rica, Pacu e Pedra do Zé Dias. Um estudo do IBGE aponta que mais de 2 mil quilates de diamantes foram extraídos dessas áreas de garimpo.
Apesar de ser quantitativamente pequeno em termos de peso, o valor comercial e a pureza das gemas extraídas contribuíram para a notoriedade da cidade.
As visitas de figuras importantes antes da emancipação de Baliza em 27 de outubro de 1936 são revela o quão significativa a cidade se tornou. Entre os visitantes estava o marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, um dos principais responsáveis pela integração do interior do Brasil, que passou pela localidade em 1930. Além dele, o senador Nero Macedo e posteriormente, Dom Pedro de Alcântara, enriquecem a narrativa histórica do município.
Dom Pedro, hospedado na casa da família Jacobson, fez sua aparição em uma região que já não estava vinculada ao regime monárquico, mas ainda era marcada pela presença de sua antiga elite.
A visita não se limitou apenas a uma confraternização social, mas simbolizava a continuidade da história da família imperial na cultura brasileira.
O nome Baliza, que em latim significa ‘marcador’, refere-se a uma formação rochosa conhecida como Pedra da Baliza, que está localizada no Rio Araguaia, servindo como referência geográfica para aqueles que percorriam a água. Esta pedra de cerca de cinco metros de altura também se tornou parte da identidade do município, que cresceu às suas margens e se beneficiou da proximidade do rio em sua ocupação e comércio.
Atualmente, o Rio Araguaia permanece como um importante atrativo turístico da região. Com suas paisagens deslumbrantes e atividades recreativas, o rio continua a atrair visitantes e preservar a história de Baliza.
A evolução de Baliza não se limitou à mineração.
Com a emancipação em 1936 e a subsequente instalação do município em 1942, Baliza se tornou um ponto de referência regional. Em 1951, o crescimento populacional e econômico resultou na criação de Aragarças como distrito e, em 1953, a cidade de Bom Jardim de Goiás foi formada a partir de desmembramentos de Baliza. Assim, a cidade se tornou mãe de outras localidades que ainda hoje compartilham de sua rica história.
Contudo, o esplendor inicial da mineração foi efêmero. Com o tempo, muitos garimpeiros migraram para novas áreas, e o esvaziamento das regiões de extração de diamantes passou a ser notório. A história de Baliza, embora marcada pela riqueza passada, é agora uma demonstração de resiliência e adaptação em um cenário em constante mudança.
Hoje, Baliza abriga aproximadamente 3.351 moradores, conforme apontou o Censo Demográfico de 2022.
O número de habitantes contrasta com os tempos áureos quando a cidade explodia em crescimento populacional devido à exploração mineral. Restando como vestígios de sua gloriosa história, a cidade apresenta uma arquitetura e urbanismo que perpetuam a memória de seu passado garimpeiro.
Embora a mineração tenha diminuído, Baliza continua a ser um lugar que evoca a história de luta e perseverança de seu povo e as riquezas que um dia floresceram em suas terras, sendo um exemplo da rica tapeçaria que compõe o Brasil moderno.
