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Advogado sugeriu ‘jeito’ ao ministro para salvar o Master

No cenário turbulento que cercava o Banco Master em julho de 2025, a situação se tornava cada vez mais crítica. Investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal (PF), a instituição enfrentava o risco iminente de intervenção do Banco Central (BC). Durante esse período, o advogado Walfrido Warde sugeriu a Daniel Vorcaro, principal figura do banco, que buscasse a ajuda do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, com o intuito de evitar a liquidação da instituição.

Conforme revelam mensagens trocadas entre Warde e Vorcaro, a busca por soluções alternativas se intensificou. No dia 23 de julho, Warde noticiou a Vorcaro uma informação de um interlocutor anônimo sobre um diálogo entre o Presidente da República e Guido Mantega, ex-ministro e consultor do Master. Mantega estava em Londres e havia uma expectativa da parte do PR de uma conversa futura. Em resposta, Vorcaro já vislumbrava o contato com Moraes.

“Sim. Vou pavimentar”, respondeu Warde, indicando uma estratégia para contornar a crise. A urgência da situação era palpável, especialmente considerando que no mesmo dia o advogado tentou contatar Vorcaro, referindo-se a Marco Aurélio Santana Ribeiro, gazeteando uma pressão para que esta conversa ocorresse imediatamente.

No mesmo semestre, o Banco Central havia alertado o MPF sobre indícios de crimes financeiros envolvendo o Master. A investigação apurava a cessão de créditos inexistentes, o que agravava ainda mais a situação do banco. A tensão no BC aumentou, dividindo suas diretorias sobre a melhor forma de agir: enquanto a Supervisão buscava soluções comerciais, outros defendiam a intervenção direta.

A situação tornou-se crítica quando Vorcaro começou a comentar sobre as pressões que estava enfrentando. Mensagens revelam que ele estava preocupado com possíveis ações de intervenção e afirmava que as narrativas sobre falências no setor financeiro poderiam ser levantadas em breve.

A Relacionamento com o STF e a Resistência ao Fechamento do Banco

Conforme o quadro se desenrolava, Alexandre de Moraes iniciou conversas com Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, buscando uma aprovação favorável ao Master. Inicialmente, existiam esperanças de que uma solução pudesse ser alcançada, porém, diante das evidências, Galípolo indicou que não seria possível devido à investigação em andamento que cercava o banco.

Moraes, no entanto, negou ter pressionado Galípolo a favor do Master, afirmando que seu intuito era discutir a aplicação da Lei Magnitsky, enquanto o Banco Central reiterou suas reuniões focadas nesta legislação, sem mencionar diretamente a operação do Master.

A culminação desta saga ocorreu em setembro de 2025, quando o Banco Central finalmente vetou o negócio entre o Master e BRB, uma vez que as condições para a liquidação tornavam-se evidentes. Em 17 de novembro, Vorcaro seria preso, e a liquidação do Banco Master foi anunciada no dia seguinte, marcando um fim trágico para uma das instituições financeiras em ascensão da época.

A história do Banco Master é um emaranhado de operações financeiras conturbadas e um reflexo da intersecção entre o setor privado e a política brasileira, ilustrando as complexidades e os riscos envolvidos no sistema financeiro nacional.

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