Pesquisar

O Ocaso do governador Ibaneis: o poder começa a ruir e afeta sucessão

Marcela Aguiar

Ibaneis Rocha surgiu na política como um outsider. Advogado conhecido no meio jurídico, presidiu a OAB-DF e construiu reputação como articulador habilidoso antes de entrar definitivamente na disputa eleitoral. Em 2018, venceu a eleição para o Governo do Distrito Federal com discurso de renovação administrativa e promessa de gestão técnica.

A vitória consolidou uma ascensão rápida. No governo, Ibaneis montou uma base política ampla na Câmara Legislativa, ampliou sua influência entre partidos do centro e consolidou um modelo de poder com poucos focos de oposição real. Reeleito em 2022, passou a ser visto como um dos governadores mais fortes politicamente no Distrito Federal.

Durante anos, a imagem construída foi a de um gestor com controle político e capacidade de articulação em Brasília.

Mas o cenário mudou.

O escândalo envolvendo o banqueiro ligado ao Banco Master e as conexões com o Banco de Brasília (BRB) colocou o governo no centro de uma crise política e institucional de grandes proporções. Reportagens e investigações passaram a explorar possíveis relações entre operações financeiras e decisões políticas que envolvem o banco público do DF, ampliando o desgaste do governo e trazendo o nome de Ibaneis para o centro das suspeitas.

O que antes era estabilidade virou turbulência. O que parecia controle político absoluto começa a revelar sinais de desgaste.

Deputados que antes o defendiam publicamente adotam tom mais cauteloso. Aliados históricos evitam exposição e, nos bastidores, cresce a percepção de que o governo perdeu parte da blindagem política que manteve durante boa parte do mandato.

Esse cenário cria também um problema direto para o futuro político do grupo que governa o DF.

A vice-governadora Celina Leão, apontada como candidata natural à sucessão, carrega agora o peso da associação política com Ibaneis. Por ter sido sua principal aliada e indicada direta dentro do governo, sua campanha tende a enfrentar o desafio de responder não apenas por sua própria trajetória, mas também pelo desgaste acumulado da atual gestão.

Em política, a transferência de poder raramente acontece sem herança — e, neste caso, a herança pode ser um passivo.

A ironia é inevitável: quem teve uma ascensão meteórica pode estar vivendo uma queda na mesma velocidade.

Na política, poder sem oposição costuma gerar excesso de confiança. E, quando a maré vira, os primeiros a abandonar o barco são justamente os que antes aplaudiam no convés.

Marcela Aguiar 

Mais recentes

Rolar para cima