As pesquisas eleitorais realizadas pelo Instituto Quaest indicam uma crescente adesão ao candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury. Esse crescimento é especialmente perceptível entre os jovens e eleitores independentes, grupos que têm mostrado uma forte mobilização em torno das propostas do escritor e psiquiatra.
No entanto, apesar dessa ascensão, o cenário ainda apresenta desafios significativos. O levantamento mais recente aponta que Cury permanece na terceira posição nas intenções de voto, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e de Flávio Bolsonaro, do PL. Segundo a pesquisa, realizada até o dia 7 de setembro, Lula lidera com 36% das intenções, seguido por Flávio com 29%. Cury, por sua vez, oscila entre 8% e 10% nas avaliações, de acordo com a margem de erro estabelecida em dois pontos percentuais.
É importante ressaltar que as pesquisas eleitorais atuam como um termômetro das intenções atuais dos eleitores, e não são previsões infalíveis dos resultados das urnas. Apesar do desempenho promissor entre os jovens, a análise das intenções de voto revela que Cury enfrenta dificuldades para atrair eleitores do segmento de Flávio Bolsonaro, o que levanta questões sobre o chamado “teto eleitoral” que o candidato do Avante poderia estar experimentando.
No que diz respeito ao voto independente, Cury se destacou em uma pesquisa anterior, com 24% das intenções, empatando tecnicamente com Lula, que registrou 21%. No entanto, os números mudaram rapidamente, e na pesquisa mais recente, Cury caiu para 17% entre os independentes, enquanto Lula alcançou 24%. Essa inversão, embora ainda se enquadre em uma interpretação de empate técnico, sugere uma volatilidade que pode ser preocupante para a campanha de Cury.
Embora Cury tenha conseguido se apresentar como uma alternativa na polarização da corrida presidencial, sua capacidade de atrair votos de maneira significativa é limitada. De acordo com os dados, o ex-presidente Lula mantém a preferência consolidada entre os eleitores de esquerda, enquanto Flávio Bolsonaro atrai eleitores da direita e os que simpatizam com o legado de Jair Bolsonaro. Essa dinâmica impede um crescimento substancial de Cury, que encontra seu melhor desempenho na “direita não bolsonarista”, com apenas 8% das intenções.
Eleitores com idades entre 16 e 34 anos, por exemplo, demonstraram um entusiasmo inicial com Cury, mas ele oscila de 14% para 11% nas intenções. Um padrão semelhante ocorre entre os que possuem ensino superior, onde o candidato caiu de 15% para 11% nos últimos levantamentos. Este resultado indica que, mesmo em segmentos onde Cury teve um desempenho promissor, a perda de suporte é visível, o que pode impactar sua estratégia de campanha.
Apesar das dificuldades, Cury se destaca em simulações de segundo turno. Conforme a pesquisa, no confronto direto contra Lula, Cury obteve 35% das intenções de voto, enquanto o petista alcançou 39%. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, essa situação configura um empate técnico, evidenciando que Cury tem potencial para ser um adversário duro no segundo turno, especificamente nas regiões Sul e Sudeste.
No Sul do país, Cury lidera com 43% das intenções contra 33% de Lula, enquanto no Nordeste a polarização se inverte, com Lula atingindo 53%. Além disso, Cury ganha vantagem considerável entre eleitores com ensino superior, onde 50% dos entrevistados preferem seu nome, em comparação a 31% que favorecem Lula. Essa análise territorial e demográfica demonstra que, mesmo não ameaçando Flávio diretamente, Cury poderá moldar a dinâmica eleitoral e oferecer desafios ao atual presidente.
Os 2.004 entrevistados pela Quaest entre 3 e 6 de setembro e entre 30 de agosto e 1º de setembro de 2026 forneceram dados valiosos sobre o cenário eleitoral atual, refletindo um nível de confiança de 95% e margem de erro de 2 pontos percentuais. À medida que a campanha avança, a capacidade de Cury em solidificar seu apoio e expandir sua base eleitoral será crucial para suas aspirações na corrida presidencial.